03/10 - Košice

É como eu sempre digo.... Aliás, sempre não, vou passar a dizer daqui pre frente porque só agora me ocorreu mais esta pérola de sabedoria: para cagar, a gente devia receber, e não ter que pagar 

Hoje o dia já seria um horror, 12 horas dentro de um ônibus da Flixbus com banheiro trancado, fazendo uma triangulação doida até Košice via Budapeste, o que triplica a distância, mas era o que tinha, pra ser bem baratinho. Com a perspectiva de chegar lá quase 11 da noite e, pior ainda, mais uma vez não ter onde dormir.
O cara da acomodação em Košice simplesmente desapareceu. Depois de um contato agradável meses atrás, quando fiz a reserva, agora não respondia mensagens, e-mails, não atendia o telefone. É como se, depois de ter me comido, tivesse perdido o interesse em mim. Provavelmente desistiu de alugar seu apartamento, saiu da plataforma e foda-se. Que nem paciente que agenda horário no consultório, resolve não ir à consulta e tudo bem, porque afinal não tinha pago nada mesmo....

Mas me adianto. Voltemos à longa viagem de ônibus. Ao menos uma ainda pior a sucederá. 
Nesta, comer salgadinho não podia, porque o motorista achava ruim. Vai ver que o cheiro de cheesitos empesteia o ônibus. Mas os passageiros ficarem verdes de diarréia e peidarem até a alma no veículo de janelas fechadas, porque o banheiro era trancado, tudo bem.
Mas teve a paradinha de 10 minutos pro xixi no meio do caminho. Como esperado, banheiro pago. 2 lei, um pouquinho mais de 2 reais. Mas, como dizia a Carla Zambelli, no tempo em que ela era vem pra rua, e não vem pra Itália, não são os 20 centavos. Hannibal, que, além de deficiência de atenção, como toda mulher e a média dos homens orientais sofre de deficiência de uretra, teve que pagar. Eu, portador de piroca multitarefa que sou, me recusei, e fui urinar ali atrás no matinho. Não registrei o momento, porque a uretra não caberia inteira na foto...

No final, num ônibus do qual emanavam aromas intercalados de salaminho e peido, depois de muitos telefonemas para a central da Booking.com (encontrei o telefone deles de São Paulo que atendeu, não consegui que fizessem nada além de cancelar a reserva do apartamento, devolver a grana e botar mais uma gorjetinha em cima). Agendamos um novo hotel, bem mais bacaninha, ainda mais distante do que o anterior e pornograficamente mais caro, como estranhamente todas as acomodações nesta cidadezinha pouco proeminente, num país pouco proeminente.

Em uma das inúmeras conversas com os rapazes da Booking, descobri o porquê de parte do problema. Apesar de me logar com meu e-mail usual, no Gmail eu estava logado em outra conta, o que levava o aplicativo a me identificar como uma pessoa diferente e não conseguir acessar a caixa de mensagens com os proprietários de algumas das reservas. Para hoje não teria adiantado nada porque o cara se mandou mesmo, mas talvez tivesse feito alguma diferença em Charleroi.
O Google é esta coisa tentacular que interconecta tudo, faz backup daquilo que a gente nem imagina, inclusive aquela foto tirada com o porteiro no afã daquele lance que rolou quando ele veio buscar o lixo. É meio como descobrir que, quando você achava que a existência tinha meramente enfiado o punho na sua ampola retal, o calcanhar dela estava escoiceando a sua bolsa escrotal, e os dentes afiados dela estavam mastigando seus mamilos.

A segunda perna da via busis, que devia ter se iniciado às 19:10, só começou às 20:15, por, adivinhem, atraso do ônibus. Mais quase 4 horas de saco explodindo, pra depois descobrir que o hotel é mais distante do centro da cidade do que parecia. Sempre tomo este golpe de vista do mapa na telinha do computador, mas, desta vez, com celular e a ansiedade com a coisa toda, me superei. Então, depois de um mega McFish, que é o sanduíche tradicional com umas alfacinhas e uma rodela de tomate em cima, que sinceramente  não acrescentam nada ao resultado final, sob 6ºC e, segundo o Weather.com, sensação térmica de -1º, o que obviamente não era verdade, ainda dá-lhe mais um Uber até aqui. E ainda tinha uma taxa municipal de £ 21 não inclusa no valor já cobrado. E não tem café no quarto.

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